2 de June de 2020

Estamos todos “infodêmicos”? – Tânia Abreu (EBP)

Publicado em Correio Express – Revista Eletrônica da Escola Brasileira de Psicanálise Já discutimos, entre nós, diversas modalidades de adição,…


Publicado em Correio Express – Revista Eletrônica da Escola Brasileira de Psicanálise

Já discutimos, entre nós, diversas modalidades de adição, efeitos de um eterno retorno iterativo, familiar ao pulsional, que só anseia por satisfação. A era “Corona vírus”, que ora vivemos como fantoches da mutação de um vírus em sua nova face, tem nos legado, na esteira do seu programa mortífero, outra pandemia: a infodemia.

A primeira vez que ouvi essa expressão, certamente familiar a sociólogos e jornalistas, foi em um diálogo de Macron, presidente da França, com o chanceler italiano Luigi Di Maio. O termo surgiu em meio a medidas sanitárias preventivas a serem tomadas pelo governo francês, as quais Luigi rebateu com o alerta que uma infodemia, epidemia de informações falsas no exterior, que estaria prejudicando a economia e a reputação do país italiano. O contexto em questão denota a preocupação geopolítica e econômica em discussão. Entretanto, a chave de leitura que proponho para esta pequena reflexão é de outra ordem: qual tem sido o efeito desta guerra de informações – que, do lado do jornalista, instala o dilema publicar ou não publicar e, do lado do leitor, consumir ou não consumir tal informação – sobre o parlêtre?

O que a clínica da era da infodemia nos demonstra é que, mais do que estar informado, o sujeito busca a informação de modo compulsivo, como uma droga, um parceiro sintoma que acolha o seu desamparo existencial, reeditado em tais momentos. As fakes news visam se instalar justo no buraco cavado por este desamparo presentificado pelo encontro com um Real maciço e gerador de pânico, já que inatingível pelo simbólico. As redes sociais e seu fácil acesso enredam o parlêtre em uma teia infindável de informações que quanto mais consumidas, mais são desejadas, como uma droga. A capacidade de julgamento vai sendo envelopada pelo gozo do “tudo saber” para “nada perder”. O que pode a psicanálise neste contexto? O que pode advir do encontro com o analista de orientação lacaniana que não deve recuar frente ao horizonte de sua época?

Nossa ferramenta de trabalho, a interpretação, tem como vetor o Um sozinho, inaugural. Deste modo, só nos resta apontar para o “ao menos uma informação, não leia”. Deter o circuito interativo com o Um a Um requer que apontemos o gozo embutido no ato do tudo ler para nada perder. Modalidade de gozo que nos impõe a infodemia.

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