23 de January de 2020

Revista Desassossegos 3 – Educar, Governar, Psicanalisar na Era Digital

EDITORIAL     por José Martinho   Embarcámos no digital.   Com novos sete pecados, diz o Facebook, mais a…


EDITORIAL

 

 

por José Martinho

 

Embarcámos no digital.

 

Com novos sete pecados, diz o Facebook, mais a sua redenção: satisfarão a vossa preguiça com a Netflix, a gula com PedidosYa, a inveja com o Instagram, a ira com o Twitter, a avareza com a Amazon, a luxúria com o Tinder e a soberba com o Linkedin!

Mas as satisfações que tudo isso pode trazer não fecham a questão de saber como educar, governar e psicanalisar no século XXI.

Em 1937, Freud tinha avisado os professores, políticos e psicanalistas que as suas profissões eram impossíveis, porque deixam na realidade restos que não podem controlar.  É isso que sabem ainda hoje aqueles que permanecem abertos ao real que não obedece a leis, nem vai em cantigas.

Portanto é este indomável real que a ciência e a tecnologia têm procurado dominar. Esforço inglório, diga-se, que não consegue travar o mal-estar na civilização.

Freud concebia os instrumentos da “tecnologia forjada pela ciência” como órgãos auxiliares que superam a limitação dos nossos órgãos sensíveis e motores, ao mesmo tempo que acrescentam à natureza humana poderes divinos e diabólicos.

Depois do braço ter ficado armado com o arado e a espada, e a cabeça com o livro, onde cabe já um Cosmo, o telescópio e o microscópio vieram prolongar a vista, enquanto o telefone surgiu como uma extensão da voz. Por sua vez, o automóvel, o comboio, o transatlântico, o avião e a nave espacial aumentaram a velocidade de locomoção e encurtaram os tempos e os espaços.

É ainda nesta série de “próteses” que virão incluir-se as prodigiosas máquinas – computadores quânticos, telemóveis inteligentes, etc. – da civilização implantada pela revolução digital.

A maioria dos novos objectos que a tecnociência e o capital colocam agora no mercado são gadgets, mas que oferecem satisfações substitutivas que não convém de modo algum ignorar.

Para aceder ao sistema destes objectos é normalmente necessária uma palavra-passe. Mas continuam a ser os impasses encontrados no sistema que melhor mostram o que lhe resiste.

É com esta precária bussola que o educador, o governante e o psicanalista terão de abordar o real desbossulado com o qual se confrontam hoje. É também a isso que se dedica o número 03 da Desassossegos.

 

 

 

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