
Nunca aos domingos
Jules Dassin
Diretor: Jules Dassin Roteiro: Jules Dassin Fotografia: Jacques Natteau
Música: Manos Hadjidakis
Elenco
Melina Mercouri (Ilya)
Jules Dassin (Homer Thrace)
George Foundas (Tonio)
Titos Vandis (Jorgo)
Mitsos Liguisos (Capitão)
Despo Diamantidou (Despo)
Dimos Starenios (Poubelle)
Alexis Solomos (Noface) Dimitris Papamichael (Marujo)
Premiações: Vencedor do Oscar de Melhor Canção Original
Um elemento atravessa esse filme divertido e de trama aparentemente simplista: a ironia do diretor-roteirista, Jules Dassin. Esta ironia, presente desde o início, subverte a perspectiva do filme, tal como acontece nos atos falhos e nos chistes. Através de detalhes, como a sátira, o diretor revela que os discursos filosóficos entusiastas encobrem uma outra coisa, tentam elidir o desejo. O recurso utilizado por Jules Dassin ao mostrar ao longo do filme o barulho frenético da caixa registradora é um outro detalhe satírico que introduz uma marca significante na satisfação da quebra de copos nas seqüências de dança grega.
Um navio aporta no Porto de Pireus, região metropolitana de Atenas. Ilya(da) é uma prostituta e gosta bastante do seu ofício.
Sem se dar conta, ele se torna o serviçal do cafetão ‘Sem Rosto’. Decai da posição de mestre à posição de empregado do homem de óculos escuros. Ele leva a cultura até Ilya, literalmente pela janela. Piano, livros, artes plásticas, música, filosofia. Ilya conhece a vergonha e um outro prazer através do conhecimento. Por outro lado perde um pouco da felicidade que experimentava ao ver o sol brilhando e esquentando a sua pele; também perde a felicidade que experimentava ao comer um pescado fresco.
Entretanto, a proposta de reeducação de Ilya, tão a gosto dos americanos, é bancada pelo “Mestre dos Bordéis’ como Lacan se refere ao personagem, fadada por isso mesmo ao fracasso.
Ao final, uma terceira alternativa se apresenta a Ilya e Homer ainda tenta reeducar um dos músicos intuitivos, o que lhe rende mais um olho roxo até desistir da sua imensa pretensão. Se Ilya consente em ser reeducada para ser uma mulher digna de ser amada, Homer consente com a verdade que ele tentava esconder: tudo o que ele queria era ter aquela mulher.
Natal, 14 de setembro de 2009
Tereza Sampaio